terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

TELECENTRO NO ENCONTRO DE SOTWARE LIVRE EM ALTER DO CHÃO SANTARÉM NOVEMBRO DE 2016

O Telecentro Dalcídio Jurandir do CCMS, participou do Encontro Internacional de Mídia Livre no Distrito de Santarém: Alter do Chão durante o mês de Novembro de 2016.
No encontro foram debatidos temas de proporções a incrementar o desenvolvimento ambiental sustentável, como ativar e consumir energia renovável, utilização das ferramentas de softwares livres para maior segurança e otimização da ferramenta com criptografia.
Articulação entre os povos tradicionais: Indígenas e Comunidade Tradicionais de Matriz Africana.no fortalecimento de ações conjuntas destes povos em prol de suas comunidades e  integração comunitária.
Encontro preparatório para o Fórum Pan Amazônico - Peru - de 28 a 01/05/2017!

















http://www.forosocialpanamazonico.com/

PROMOVENDO A INTEGRAÇÃO AMAZÔNICA


Ciclo de oficinas na Aldeia Sawré Muybu

O Tapajós é um rio de 1784 km de extensão. Suas águas percorrem margens de terras ancestrais que ainda hoje abrigam diversos povos brasileiros cuja cultura está diretamente relacionada à natureza que os cerca. A caça, a pesca e o extrativismo são práticas comuns entre os que habitam o Baixo, o Médio e o Alto Tapajós, no Pará.
Desde Santarém, após uma viagem de aproximadamente seis horas em uma lancha grande e rápida, @s participant@s do terceiro encontro do projeto Mídia dos Povos, chegaram ao município de Itaituba. De lá, partiram em mais uma viagem por terra, com duração de duas horas até o porto de Buburé de onde saem as voadeiras com destino às comunidades do Médio Tapajós. O destino final: a aldeia indígena Sawré Muybu, do povo Munduruku.
Moradores da aldeia aguardavam o grupo, que chegava junto de participantes e oficineiros de fora, para um encontro onde se trocaria a respeito de três diferentes técnicas: a construção de placa solar; projeto, captação e edição audiovisual e elaboração de projetos para captação de recursos.
Além daqueles que já integram a Rede Mídia dos Povos, também se uniram ao grupo indígenas Munduruku de outras aldeias da região. Os participantes vindos de Tefé, Macapá e Santarém já haviam participado de pelo menos um dos encontros anteriores.
Após uma grande roda de apresentação, os grupos foram divididos entre as oficinas que durariam os próximos cinco dias. As mulheres, que geralmente carregavam seus filhos nosbraços ou entre as pernas, eram maioria e surpreenderam enchendo a oficina de construção de placa solar dada por Jonas Duarte, indígena da etnia Miranha localizada em uma comunidade do Médio Solimões. Jonas levou os materiais necessários para a construção das placas, dentre eles: vidro, cabos, papel alumínio, ferro de solda. A oficina se dividiu em duas partes, a teórica e a prática, sendo que a primeira se mostrou mais desafiante por exigir conhecimentos intermediários de física e matemática. De qualquer forma, Jonas esteve solicito para sanar as dúvidas dos participantes, que segundo ele, perguntavam bastante. Durante os cinco dias, o grupo se encontrava pela manhã, tarde e às vezes pela noite. Como já existiam algumas placas na aldeia, estas serviram de referência para exemplificar o processo de captação e reserva da energia solar para ser utilizada durante o dia pelos moradores, já que a maior parte da energia utilizada no local vêm de um gerador que é ligado somente na parte da noite. A utilização dessas placas solares, de tamanho suficiente para carregar celulares e computadores, pode ajudar na economia de combustível usado no gerador, além de ser mais sustentável.
Atualmente os Munduruku enfrentam muitas ameaças ao seu bem viver. Muitas de suas aldeias, às margens do Tapajós podem ser totalmente alagadas caso o projeto de construção da Usina hidrelétrica dos Tapajós seja realmente levada adiante pelo governo federal. No mesmo período do encontro, um ônibus havia saído com destino à Brasília com dezenas de indígenas dispostos a ocupar o Ministério da Justiça até que o governo se comprometesse a demarcar suas terras. O povo Munduruku iniciou em outubro de 2014 o processo de auto-demarcação de seu território depois de sete anos aguardando ação da Fundação Nacional do Índio (Funai). Foram dias abrindo picada através da mata. O processo foi documentado por um grupo de mulheres indígenas que através de uma oficina iniciavam seu processo de produção audiovisual. O vídeo foi editado e pode ser assistido no youtube. De acordo com a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, todo grande empreendimento deve consultar as comunidades a serem afetadas mas o governo tarda em cumprir os acordos. Além deste projeto desenvolvimentista, eles enfrentam a intervenção de garimpeiros, madeireiros e palmiteiros ilegais em suas terras. Diante disso, a preservação das tradições e conhecimentos ancestrais são de extrema importância no fortalecimento de sua luta. E existem diversas maneiras de resgatá-las e utilizá-las em seu favor. Uma delas é o resgate da língua materna e o uso da pinturas corporais. Tais temas foram abordados pelos participantes da oficina de audiovisual oferecida por Sília Moan, designer que há dez anos trabalha a prática de vídeo e edição de imagens em software livre junto à povos tradicionais. Como resultado da oficina foram produzidos quatro mini-documentários que, por decisão deles, ainda não serão divulgados.
Sem poder contar com o apoio do poder público, os indígenas do médio Tapajós buscam garantir cada vez mais sua própria autonomia. Foi pensando na possibilidade de garantir seus próprios recursos, sem precisar da intermediação de governos, ONGs e instituições privadas, que o comunicador comunitário, integrante do Fórum da Amazônica Oriental (FAOR) Marquinho Mota, ofereceu uma oficina de elaboração de projetos. Em cinco dias, após discutir o formato, temáticas e fontes de recursos, os participantes concluíram um projeto de captação de recursos para dar continuidade a aprendizagem das técnicas audiovisuais. Em breve, o projeto será enviado a alguns fundos. O conhecimento de participantes vindos de fora foi fundamental para fortalecer o intercâmbio de saberes e estratégias que ajudem a fortalecer suas lutas que muito tem em comum. A imersão no cotidiano da aldeia também foi muito importante, desde a prosa no café da manhã até a pausa para o futebol diário iniciado com o time das mulheres, e seguido pelo time dos homens. Foi assim que, em uma pequena aldeia na margem dos rio Tapajós, entre indígenas, ribeirinhos, ativistas, quilombolas, professores e comunicadores, novas sementes do conhecimento foram trocadas e juntas semeadas, fortalecendo as raízes de um território e a luta dos povos que habitam terras ancestrais.

Apresentação O Projeto: “Soul Amazônia” vem com proposta inovadora do Intérprete, compositor e arte educador Paraense: Augusto Hijo que dig...