Encontro em Alter do Chão debateu software livre, direitos dos povos tradicionais e ancestralidade
Comunidades
indígenas e ribeirinhas ameaçadas por barragens; negros quilombolas
resistindo à violência institucional e criminalização da cultura
afro-brasileira; troca de saberes ancestrais e muita pajelança. Esses
foram os temas que atravessaram o segundo encontro do projeto Mídia dos Povos,
da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc), que ocorreu entre
os dias 21 e 25 de setembro em Alter do Chão, no Pará. A
atividade reuniu representantes de povos tradicionais e ativistas de
diferentes comunidades da Amazônia para uma imersão sobre software livre
e mídias comunitárias.
O
encontro contou com a parceria do Coletivo Puraqué que há anos atua com
inclusão digital através do software livre em Santarém. Os Software livres são programas abertos e gratuitos.
Além de garantir o acesso mais democrático dos programas, o uso deste
tipo de software garante que o usuário não precise pedir qualquer
permissão ou se comprometer com licenças proprietárias restritivas.
A
coordenadora do Mídia dos Povos, Luiza Cilente, acredita que estimular o
projeto e garantir cada vez mais o uso deste tipo de software junto às
comunidades e projetos de mídia alternativos, comunitários e livres, permite a maior liberdade e autonomia aos mesmos.
O
grupo dá continuidade ao ciclo de encontros que se iniciou em agosto
deste ano no quilombo do Curiaú em Macapá, no Amapá, onde quilombolas
debateram políticas afirmativas em rádios livres e comunitárias. Rejane
Souza e João Ataíde, representantes dos quilombolas, estiveram presentes
em Alter do Chão para compartilhar sobre essa experiência e trocar
sobre novos saberes.
Milson dos Santos, ativista do Maranhão, apresentou a plataforma de autocartografia Lagbaye Lyika que permite o envio de denúncias de situações de violência, mapeando áreas de riscos para alertar pessoas e organizações sociais.
Outro participante, Josivan dos Santos, morador da comunidade
ribeirinha de Juruti Velho, também no Pará, aproveitou para colocar no
mapa denúncias sobre os impactos ambientais e violações de direitos
provocados pela multinacional Alcoa ao explorar bauxita na região da
comunidade.
Indígenas Munduruku também estiveram presentes no encontro. Eles explicaram sobre o processo de autodemarcação de suas terras.
Marunha Kirixi da aldeia Sawré Muybu contou sobre a experiência de um
grupo de mulheres munduruku que estão se apropriando de equipamentos
para documentar e criar suas próprias produções audiovisuais sobre a
etnia.
O
próximo encontro vai ocorrer no final de novembro na aldeia de Marunha,
localizada próximo a Itaituba, no Pará onde os participantes irão
debater produção e gestão de projetos. Também será realizada uma oficina
de edição de vídeo em software livre. (pulsar/mídia dos povos)
Os representantes do Telecentro Dalcídio Jurandir (Centro Comunitário Morada dos Sonhos)foram seu Gestor do Telecentro: Augusto Hijo e o Arte Educador da área de Grafitti: Marcelo Silva, ao qual deram excelentes contribuições sobre as discussões à cerca de Ações pontuais relacionadas ao meio ambiente, cultura, ações sociais, bem como formas alternativas de crescimento do IDH ( Índice de Desenvolvimento Humano) daquela região, mais precisamente a Vila de Alter do Chão. Articulando parcerias com instituições locais e internacionais com foco na preservação da cultura Tapajônica, suas ancestralidades como ponto de referência para ações de salvaguarda destas culturas.
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